\n'; document.write(barra); } } changePage();
| Principal Biografia Discografia Letras Shows Fotos Filmes e Livros Bibliografia Downloads Links |
![]()
"Vi as melhores cabeças da minha geração destruídas pela loucura."
Este é o primeiro verso do poema "Howl" (berro, uivo), publicado em 1956, e alvo de um processo por obscenidade em São Francisco; seu autor Allen Ginsberg , junto com William Burroughs , Jack Kerouac , Carl Solomon , eram os principais representantes dos chamados "Beatniks", haviam surgido na década de 50, eram uma espécie de rebeldes e marginais, poetas e escritores que viajavam por toda a América e usavam os fatos que aconteciam em seus livros. São a origem do movimento hippie; vivendo na América do pós-guerra, assistiram toda a efervescência do mercado de consumo norte-americano, mas rejeitaram o consumismo e o proclamado "American Way of Life", refugiaram-se nos bairros boêmios, se apoiavam em crenças como a da necessidade do "desengajamento em massa" ou da "inércia grupal". Assim como os hippies foram depois, os beats já eram bastante atraídos pelo orientalismo, principalmente o Zen Budismo; rejeitaram o intelectualismo, preferindo uma vida sensorial e desprezando a segurança de uma carreira ou uma posição social.
Na mesma época dos beats também havia um outro grupo descontente com o tipo de vida da sociedade de consumo, eram os "Hipsters", que se opunham aos "Squares", ou seja, quadrados, caretas, os quais os hipsters desprezavam por serem conformados e adaptados ao sistema.
Um romancista americano profundamente ligado à todo o clima de contestação que já vinha se afirmando desde o início dos anos 50, chamado Norman Mailer , foi quem chamou a atenção para os hipsters, mas quem havia lançado o termo foi Ginsberg no poema "Howl". Norman consagrou o termo em 1958 no artigo: "The White Negro: Superficial Reflections on the Hipster". O hipster é aquele que mantém uma posicão de rebelião contra a situação e valores estabelecidos pela sociedade de consumo, por isso Mailer usou o termo "white negro", porque os negros sempre discriminados e marginalizados tinham que também manter sempre a atitude de revolta.Apesar do valor que Mailer percebe na atitude beat de "busca da sensação" e da "satisfação orgástica", não aceita aquilo que ele vê como sua passividade ou falta de afirmatividade. Assim, acima do beatnik, ele colocaria o hipster, cuja consciência dos extremos terrores da vida assemelha-se e é derivada da que têm o negro, "pois nenhum negro pode andar pela rua seguro de que a violência não irá encontrá-lo em seu passeio". O que Mailer admirava no hipster era a sua coragem de aceitar o desejo "de se desligar da sociedade, de existir sem raízes, de empreender essa viagem sem rumo pelos rebeldes imperativos do ego. Em suma, seja ou não uma vida criminosa, a decisão está em encorajar o psicopata que existe dentro de si mesmo, de explorar aqueles domínios de experiência em que a segurança é tédio e portanto doença (...)"
É assim, neste sentido, que aquela forma de "delinqüência juvenil" atualizada pela atitude hipster estava "desafiando o desconhecido".O que é Contracultura? - Carlos Alberto Messeder Pereira
Col. Primeiros Passos - Nova Cultural/Brasiliense - 1983
Em seguida a isso, no início da década de 60, já começavam a se aglomerar na Califórnia, jovens vindos de todos os cantos do país, geralmente cabeludos, com roupas coloridas e enfeitadas, que procuravam um novo estilo de vida, assim como os beats, baseado no prazer, doutrinas orientais, tudo regado a vários tipos de drogas, principalmente os alucinógenos.
Não se sabia ao certo o que estava acontecendo, alguns falavam em uma nova era, uma nova consciência etc. Se era uma revolução ou mais um modismo não se sabia, mas já começou a circular na imprensa o termo "Contracultura". Até este momento, o movimento ainda era conhecido apenas pelos aspectos visuais como roupas, cortes (ou a falta destes) de cabelos,etc.
Descendentes diretos dos Beatniks, os hippies começaram a se afirmar pela metade da década de 60; inicialmente, concentravam-se em São Francisco, L.A., principalmente na região das ruas Haight-Ashbury.
Em geral, eram jovens brancos, de classe média, com idade entre 17 e 25 anos, instruídos, bem nutridos e bem criados, mas que também repudiavam a sociedade industrial e o sistema capitalista, detestavam a ordem, o poder e as autoridades.
Jamais canalizaram a sua energia para as formas de luta política até então conhecidas, fazendo manifestações que podem ser consideradas no mínimo muito estranhas, como por exemplo em 1967, quando centenas de hippies se reuniram em volta do Pentágono (central militar norte-americana) em protesto contra a guerra, e ameaçavam fazer o pentágono "flutuar" com a força da mente, ainda neste ano foi realizado o "enterro" dos hippies, onde proclamaram: "Os hippies morreram, Viva os homens livres". Ainda em 67, foi criado o "Youth International Party" (Partido Internacional da Juventude), este lançou a figura do "yippie", que era uma espécie de hippie mais politizado.
Em 1968, era estimado que existiam em média 10.000 em Haight-Ashbury, e 300.000 nos E.U.A. e no resto do mundo, mas este número aumentou muito nos anos seguintes. A intenção era a de criar uma nova sociedade, um mundo pleno de satisfação e prazer. Queriam se livrar da opressão, do patriarcalismo, e principalmente se livrar de um governo que consideravam já obsoleto, e que preferia (e ainda prefere) gastar imensas fortunas em guerras, do que usar esse dinheiro para cuidar de seus deserdados. Este é um dos pontos de partida do movimento, que era a luta contra a Guerra do Vietnã.
Muitos hippies, a bem da verdade só buscaram a satisfação do seu hedonismo, no abuso de drogas e do sexo livre, estes, eram insaciáveis, bebiam, fumavam, buscavam qualquer tipo de prazer a qualquer custo, e segundo eles: "sentem-se bem e não prejudicam ninguém."
Os hippies eram adeptos da não-violência, do gôzo, do misticismo, do altruísmo, da vida em comunidade e voltada ao contato com a natureza, daí a criação de várias comunidades rurais alternativas em vários lugares do mundo. Se tornaram um grupo indefinível, pois vários outros grupos já haviam se agregado, e disso surgiram novos grupos; por isso pode-se dizer, que muito se deve ao movimento hippie, pois dele que foram criados, ou ao menos fortalecidos, grupos ecológicos, feministas, pelos direitos civis, dos negros, pacifistas, etc.Não havia uma organização ou liderança central, o movimento expandiu-se espontâneamente, como resposta à vida cada vez mais mecanizada da sociedade tecnocrata. Manifestos como este abaixo, deixam mais ou menos claro o que eles queriam, este foi afixado na entrada da Sorbonne em 1968.
  A revolução que está começando questionará não só a sociedade capitalista como também a sociedade industrial. A sociedade de consumo tem de morrer de morte violenta. A sociedade da alienação tem de desaparecer da História. Estamos inventando um mundo novo e original. A imaginação está no poder.
Os fundamentos, ou princípios básicos, eram três:
- Deves fazer tua própria obra, qualquer que seja e quando quiseres.
- Separa-te da sociedade em que até agora tens vivido, deixa-a em definitivo.
- Sacode a mente de cada indivíduo digno que possas vir a encontrar, mostra-lhe o caminho das drogas, se não podes franquear-lhe a beleza, o amor, a honra, o prazer.
![]()
Arnold Toynbee, historiador, define-os como "uma luz vermelha de advertência à forma de vida norte-americana", e um sociólogo os descrevia como "expatriados que vivem junto de nós, mas muito além de nossa sociedade."
A maior parte da filosofia, estética, música, é derivada do uso dos alucinógenos, principalmente o LSD; essas drogas, chamadas de "psicodélicas", propiciam um estado mental de deslumbramento, visões incríveis, percepção e sentidos aguçados e sublimados; esses efeitos são muito variados de pessoa para pessoa, e motivo de grandes controvérsias entre médicos e especialistas; muitos indivíduos experimentaram o que se chama de "bad trip", ou seja, má viagem, que é exatamente o contrário da sensação de bem-venturança que a maioria das pessoas sente, visões horríveis, gritos e angústia, são alguns dos sintomas que a pessoa que toma pode sentir.
Pode-se entender também por experiência psicodélica, um estado mental de grande calma, percepção sensorial agradável, êxtase estético e ímpeto criativo. Pode-se dizer que a filosofia psicodélica consiste na "crença desapaixonada na revelação do próprio eu" e na "expansão das forças mentais".Como praticamente todos os outros movimentos que questionaram a sociedade, seu início foi espontâneo, genuíno, mas conforme foi se espalhando, foi sendo deturpado, incorporado ao mercado de consumo, e infelizmente, pode-se até dizer que é só mais uma entre tantas estórias do século XX.
Dúvidas, sugestões, erros.
Por favor, entre em contato.
![]()
![]()
![]()